“Amar não é aceitar tudo. Aliás, onde tudo é aceito, desconfio que há falta de amor.”
Maiakóvski.
text “Mas eu gostava dele, dia mais dia, mais gostava. Digo o senhor: como um feitiço? Isso. Feito coisa-feita. Era ele estar perto de mim, e nada me faltava. Era ele fechar a cara e estar tristonho, e eu perdia meu sossego.”
Guimarães Rosa.
text 1
notes “Milho de pipoca que não passa pelo fogo continua a ser milho de pipoca,
para sempre.
Assim acontece com a gente. As grandes transformações acontecem quando
passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira”
Rubem Alves.
text “O que é obsceno? Obsceno? Ninguém sabe até hoje o que é obsceno. Obsceno para mim é a miséria, a fome. A crueldade, a nossa época é obscena…”
Hilda Hilst.
text ”(…) Você cresceu em mim de um jeito completamente insuspeitado,
assim como se você fosse apenas uma semente e eu plantasse
você esperando ver uma plantinha qualquer, pequena, rala, uma avenca,
talvez samambaia, no máximo uma roseira, é, não estou sendo agressivo não,
esperava de você apenas coisas assim, avenca, samambaia, roseira, mas nunca,
em nenhum momento essa coisa enorme que me obrigou a abrir todas as janelas,
e depois as portas, e pouco a pouco derrubar todas as paredes e arrancar o
telhado para que você crescesse livremente.”
Caio F.
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Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar. Caio Fernando Abreu
text
Caio Fernando Abreu assinava e gostava de ser chamado de Caio F. por causa do livro “Eu, Christiane F., treze anos, drogada e prostituída…”
Ps.: Vi isso no blog da Alice :))
text “Escrevi mais de dez livros, fui traduzido em vários idiomas e nunca tive muito espaço na mídia. Bastou eu avisar que estava com Aids e todo mundo começou a me pedir entrevistas; de repente fiquei famoso, mas eu não quero ser visto como um doente, um aidético que escreve. Sou um escritor que tem Aids, uma doença como qualquer outra; eu poderia ter diabetes, câncer, hepatite. A doença do corpo é igual à doença do planeta, tudo está interligado no micro e no macrocosmo: se curarmos a Terra, curamos o homem. Precisamos ficar atentos.”
Extraído do livro “Pra semrpe teu, Caio F.” - Paula Dip.
text “Bom dia, tristeza
Que tarde, tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando
Até meio triste
De estar tanto tempo
Longe de você
Se chegue tristeza
Se sente comigo
Aqui nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de ama”
Maysa Matarazzo - Bom dia, tristeza!
text “Mas, quando chegou a hora da partida, a raposa disse:
- Ah! Eu vou chorar…
- A culpa é tua - disse o principezinho. - Eu não queria te fazer mal; mas tu quiseste que eu te cativasse… “
O Pequeno Príncipe.
text “Aí resolvi que nesta noite de inverno em que vamos virar a noite de sábado pelo avesso da noite de julho, ninguém vai falar no que podia ter sido e não foi.”
Caio Fernando Abreu.
text “Mas há dias em que nada faz sentido, e os sinais que me ligam ao mundo, se desligam.”
Frejat - Túnel do tempo.
text Ando tão à flor da pele
Qualquer beijo de novela
Me faz chorar
Ando tão à flor da pele
Que teu olhar “flor na janela”
Me faz morrer
Ando tão à flor da pele
Meu desejo se confunde
Com a vontade de nem ser
Ando tão à flor da pele
Que a minha pele
Tem o fogo
Do juízo final…
Barco sem porto
Sem rumo, sem vela
Cavalo sem sela
Bicho solto
Um cão sem dono
Um menino, um bandido
Às vezes me preservo
Noutras, suicido!
Oh, sim!
Eu estou tão cansado
Mas não prá dizer
Que não acredito
Mais em você
Eu não preciso
De muito dinheiro
Graças a Deus!
Mas vou tomar
Aquele velho navio
Aquele velho navio!
Zeca Baleiro - A flor da pele.
text “Queria poder encher a boca para dizer: eu te odeio. Detestar absolutamente tudo em você, desde a sua altura imensa, suas mãos charmosas, à sua sinceridade de gentil boa praça. Sua leveza de viver, tão incompatível à minha densidade ferrenha. Impedir que nada mais mexa comigo e meu humor, como algum dia acelerou o peito, me fez suar as mãos e sorrir feito uma figura dopada; irracional. Abominar a sua preocupação com a minha pessoa - mesmo não sendo mais próximo, e sim exilado da minha convivência. Por mim, essa ditadora inábil. As artimanhas infantis que ainda arquiteta pra saber sobre o que ando fazendo, minhas mudanças físicas, meu estado de espírito. E é um ódio que não chega. Não me vem nunca. Pombo correio desgovernado, celular desligado, chuva.
Mesmo enumerando algumas razões descabidas para que eu consiga by myself, inserir desprezo, na imensidão de sentimentos que ainda existe aqui, anda impossível. Se eu me arrependi? Como sempre. Sei que conviver com a minha personalidade forte é algo complicado. Incompreensível. Enlouqueço, e então, quando me toco do tamanho do transtorno que causei, já foi. Passionalidade no sangue, e essa urgência em viver, impressa na alma. Agora, completamente opostos que somos, tento não pensar em você nenhuma vez ao dia, não querer morrer quando leio o seu nome pichado em algum muro, e segurar as lágrimas quando passa qualquer com outro homem com o seu perfume, que eu amo. Simplesmente não aguento mais ver horas iguais, e nada de diferente acontecer na minha vida. Não era para alguém estar pensando em mim? Quem é que pensa tanto, e não age nunca? Deixe o medo de lado, minha loucura não te atinge. Venha, ligue. Se arrependa você também, para que eu me sinta menos sozinha e confusa, menos reprimida, até normal.
Não tem sido fácil. As pessoas se cansam de mim sofrível assim, dessa minha angústia quilométrica, e que vai, volta, se alterna entre a felicidade imensa de quando você retorna; infelicidade ferina quando se esvai, livre. Ninguém me entende por completo. Dizem todos: “sai dessa fossa, vamos curtir a noite, celebrar a vida.” Mas a verdade é que não estou pronta. Ou ainda não consigo dançar até o chão, rebolar com provocação, beber e esquecer que você existe. Travo. Sabendo que não terá regresso, me culpo um pouco, te penso tanto. Colocar linha na agulha e fechar o ponto, dar o nó para que feche. Se ao menos eu renegasse o seu gosto musical com gosto, e enjoasse do seu sotaque acertado, facilitaria.
Que eu consiga seguir em frente, sem esperar pela tua mão no meu ombro, por você em esquina qualquer. Ou veja com maior claridade que o que é melhor pra nós dois, seria fugir dessas faíscas, fagulhas e centelhas que vibram, quando juntos. Mas que não aquecem suficientemente, quando separados. Por enquanto, apenas eu e essa falta sufocante, que aperta e fere, machuca e tira a paz - quase minha sombra, acompanhando até mesmo em momentos de privacidade, e invadindo pensamentos, falas e uma rotina inteira. Que eu consiga olhar para os seus defeitos com mais realidade, e menos enfeites. Que se for ainda tempo, ou ainda houver salvação, você também veja que errados estamos os dois, e olhar nos olhos pode ser uma solução. Porque me resumo entre cansada de plantar uma amargura que não quero, e não vejo nenhuma outra alternativa a não ser te querer de volta, sempre. Semente que não brota, raiz que não pega, trem que descarrilha. Virar de costas sem olhar pra trás tem sido árduo, torturante. Corpo no chão, cansaço vil, folhas e folhas em branco. Me rendo. Quando será que tudo vai voltar a fazer algum sentido?”
Camila Paier.
Ps.: Desculpem-me o texto grande, mas diz taaaanto pelo que eu (Camila Borges) estou passando, que eu não poderia deixar de colocá-lo aqui.
quote 114
notes "Dizer que não gosta, é admitir que ama. Quem não se importa, não diz nada."
(via marinafernandes)
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